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Ciclo de Palestras:

Horizontes da Complexidade

Escola de Diálogo de São Paulo e Núcleo de Ioga Ganesha

 

Programação - abril a julho de 2010

PALESTRANTES:

Amâncio Friaça, Américo Sommerman, Arnaldo Bassoli, Branca Papperetti e Valéria Peluso Marques, Carlos Alberto Carvalho, Ken Liberman (EUA), Maria José Caldeira do Amaral, Márua Roseni Pacce, Oscar Quiroga, Sukie Miller (EUA), Vera Lúcia Paes de Almeida

 
PROGRAMAÇÃO DAS PALESTRAS:

Abril

22/4 – Amancio Friaça:

A Biodiversidade dentro do Contexto Cósmico - O que a Astrobiologia tem a dizer.

O ano de 2010 foi declarado pela ONU o Ano Internacional da Biodiversidade. Ao mesmo tempo, a novíssima ciência da astrobiologia busca estudar a vida dentro do contexto cósmico, pois a origem e a evolução da vida dependem de uma série de condições astrofísicas. A extinção dos dinossauros pela queda de uma asteróide há 65 milhões de anos é o exemplo mais conhecido de uma interferência extraterrestre na evolução da vida na Terra.
Além do mais, queremos responder à pergunta "estamos sós?". A astrobiologia considera esta questão e outras tão profundas, que nos acompanham desde a aurora da humanidade: "de onde viemos?", "o que é a vida", "para onde vamos?".
Assim, a astrobiologia considera não só a vida em outros planetas, mas a vida na Terra e sua expansão pelo universo sob a ação humana. Á vida introduz uma riqueza extraordinária no universo. Um dos temas centrais da astrobiologia é o das origens da vida e evolução das biosferas. A diversidade da vida leva a um entrelaçamento entre as espécies que garante a continuidade e complexificação crescente dos seres vivos. Ao imaginar biosferas em diversos locais do universo, surge uma compreensão do alcance mais profundo da biodiversidade. O maior ecossistema é o próprio universo.

Amancio Friaça é astrofísico, professor associado do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo. Pesquisador nas áreas de Cosmologia, Astrobiologia e Transdisciplinaridade. Doutorado e Livre-Docência em Astronomia pela Universidade de São Paulo. Pós-doutorado no Royal Greenwich Observatory. Trabalhou como pesquisador em em diversas instituições internacionais: University of Cambridge; Royal Observatory of Edinburgh; European Southern Observatory, Munchen; INAOE, México; Institut d'Astrophysique de Paris. Formador Fundador do Centro de Educação Transdisciplinar da Escola do Futuro da USP. Co-autor dos livros "Trivium e Quadrivium" , "Descobrindo o Universo". "O Tempo Presente". Organizador e co-autor do livro "Astronomia: uma visão do Universo", pelo qual recebeu o Prêmio Jabuti 2001 na categoria "Melhor Livro de Ciências Exatas, Tecnologia e Informática.". Organizador e co-autor do livro "Educação e Transdisciplinaridade". Organizador de várias escolas e congressos científicos, entre eles o "First Brazilian Workshop on Astrobiology" e a XV IAG/USP Advanced School on Astrophysics "From Galaxy to Life".


29/4 – Sukie Miller: (EUA)

O que acontece conosco depois que morremos?

Há muitos séculos, a morte nos chama a atenção. Alguns temem a imaginada escuridão, enquanto outros consideram-na um pacífico encontro com a família e os amigos; outros ainda vêem a morte como nada mais do que uma transição. E, no entanto, apesar da nossa curiosidade e da vasta literatura sobre a morte e o morrer, poucos examinaram a partir de um ponto de vista verdadeiramente transcultural o que nos acontece depois que morremos.
Com base nas crenças e na sabedoria encontrada nos sistemas de crenças sobre o pós-morte do mundo todo, esta palestra nos trará os resultados da pesquisa realizada por Sukie Miller com xamãs, sacerdotes, santos e líderes religiosos sobre a pergunta: o que nos acontece depois que morremos fisicamente? Trará também o que descobriu em suas pesquisas sobre as mini-mortes que todos temos durante a vida: a perda de uma carreira, de um casamento, das idéias da juventude, das capacidades físicas, idéias, crenças e sonhos.

Sukie Miller, Ph.D., psicóloga, é uma das pioneiras nas pesquisas transculturais sobre as dimensões e implicações das crenças no pós-morte. Os seus livros “Finding Hope When a Child Dies” e “After Death: How People Around the World Map the Journey After Life” foram publicados em diversos países, como os EUA, Japão, Alemanha e em nosso próprio país. É ex-diretora do Instituto Esalen, na Califórnia, e membro do Conselho do Instituto C. G. Jung de São Francisco. Atualmente reside e atende em São Paulo.

Maio

6/5 - Vera Paes de Almeida:

O Criativo, a potência do desconhecido

A natureza e o cosmos estão em contínua transformação. Vida e morte se unem no processo criativo e geram tanto o brilho das galáxias quanto o das gotas de orvalho. Será que estamos conscientes desse poder nas nossas vidas? Qual o brilho, a cintilância que ilumina nossas ações e se reflete no mundo? Nosso encontro se propõe como um espaço de reflexão sobre essas e outras questões que envolvem a urgência da prática do princípio criativo no nosso cotidiano.

Vera Lucia Paes de Almeida é psicóloga e psicoterapeuta junguiana. Mestre em Ciências da Religião, PUC-SP. Professora em curso de especialização em psicologia analítica, UniSP. Professora na Associação Palas Athena. Autora do livro  "Corpo Poético - o Movimento Expressivo em C. G. Jung e R. Laban" - ed. Paulus.

 
13/5 - Branca Papperetti e Valéria Peluso Marques:

Ritmos Ultradianos e a Comunicação Mente-Corpo

Desde a Grécia antiga existem relatos das observações da ressonância entre os ritmos da natureza e o funcionamento fisiopsíquico. Há o exemplo de Homero que, na Ilíada, comparou o ciclo de vida do homem às mudanças sazonais dos bosques. Os primeiros estudiosos na área da psicologia observaram a flutuação dos estados de consciência que, na atualidade, são o objeto da pesquisa de Ernest, denominando-os como Ritmos Ultradianos. Rossi estuda também o potencial de sincronização e cura do sistema mente-corpo.
Neste encontro, veremos a proposta de diálogo e cooperação com este grande e complexo sistema que, segundo Rossi, funciona em ondas ritmadas, em ciclos de eficiência e atividade seguidos por períodos de repouso, restauração e recuperação. Atividade e repouso ocorrem tanto no nível físico quanto no psicológico. Conhecer esses ritmos, e os sinais que nos fornecem, nos traz a possibilidade de acesso às forças regeneradoras e criativas inconscientes.

Branca Papperetti é psicóloga clínica, com formação em Psicologia Analítica Junguiana, coligada a técnicas de Abordagem Corporal. Especialização em Cinesiologia Psicológica – Integração Físio-Psíquica pelo Instituto Sedes Sapientiae. Obteve a certificação em Psicoterapia e Hipnoterapia Ericksoniana pelo Instituto Milton Erikson de São Paulo.

Valéria Peluso Marques é psicóloga clínica, com formação em Psicologia Analítica Junguiana coligada a técnicas de Abordagem Corporal. Especialização em Cinesiologia Psicológica – Integração Físio Psíquica pelo Instituto Sedes Sapientiae. Obteve a certificação em Psicoterapia e Hipnoterapia Eriksoniana pelo Instituto Milton Erikson de São Paulo.


14 e 21/5 - Kenneth Liberman (Universidade do Oregon):

Curso de Filosofia Oriental

Composto no século XVII, no Kashmir, YOGA VASISTHA é o pináculo do pensamento filosófico da Índia em uma forma dramática, que inspira vida e praticalidade em conceitos epistemológicos fundamentais. É também o mais longo tratado filosófico jamais escrito, com 3.800 páginas. Apresenta o Senhor Rama como o príncipe adolescente de um reino que se confronta pela primeira vez com a falta de sentido da vida e a pervasividade do sofrimento humano. Entra em profunda depressão, deixa de comer, emagrece. Preocupado com ele, o rei seu pai convoca o homem mais sábio do reino, o sábio Vasistha, para aconselhá-lo e a maior parte do livro consiste nas perguntas de Rama eas respostas do sábio. O texto é composto de fabulosas histórias mitopoéticas que alteram o espaço e ultrapassam o tempo, oferecendo um mundo que é tão intangível quanto as ilusões em que baseamos nossas próprias vidas. Engajar-se seriamente na leitura deste texto é fazer com que os laços com que nos prendemos às nossas idéias fixas se soltem naturalmente. Muitas das teorias sobre o conhecimento apresentadas no YOGA VASISTHA são a resposta do Hinduísmo à filosofia do Caminho do Meio, do Budismo Mahayana, com a qual compartilha o mesmo universo espiritual, logo antes do advento do Advaita Vedante de Adi Shankara. 

Os participantes serão solicitados a ler, antes dos encontros, uma breve tradução de trechos selecionados, que será especialmente preparada para este trabalho.  

Ken Liberman é professor emérito de Sociologia da Universidade do Oregon, onde também leciona filosofia budista e textos fundamentais da tradição do Yoga. Viveu três anos em uma universidade monástica tibetana, e foi, por muito tempo, discípulo do Dalai Lama e do 16o. Gyalwa Karmapa. Pratica yoga há quarenta anos, e estudou com seis eminentes mestres de yoga na Índia, inclusive Pattabhi Jois e Swami Venkatesananda, o principal tradutor para o inglês do Yoga Vasistha. Nascido em Hollywood e criado no sul da Califórnia, viveu dois anos em uma comunidade de aborígenes australianos que tinha suas tradições preservadas. Ensinou em um colégio muçulmano na cidade de Mindanao, nas Filipinas. Foi Professor Visitante Fullbright na Universidade de Mysore, na Índia, e na Universitá di Trento, na Itália. Liberman é autor de quatro livros e de mais de cinqüenta artigos acadêmicos.

ATENÇÃO:  Este curso será realizado no seguinte endereço: R. Ferreira de Araújo, 449 - Pinheiros. Fone: (11) 3819-3283. O horário também será diferente: das 17:00 às 19:30.


20/5 – Carlos Alberto Carvalho:

"O Sabor da Emoção na Alimentação"

O pensamento sistêmico e a teoria da complexidade nos convidam a enxergar a vida e o viver como uma grande teia de relações interdependentes. Assim, o questionamento sobre a vida e o viver do indivíduo não pode ser feito sem um olhar mais abrangente para todos os diversos contextos em que a existência individual se dá.
Essa ampliação do conceito do que é vida e o que é viver, na complexidade, desperta-nos o interesse em conhecer a origem da vida e sua relação com a origem do Universo, bem como a evolução da vida no planeta, a origem do ser humano e o desenvolvimento da humanidade. A vida aparece então descrita como um processo de manutenção de equilíbrio dinâmico e de reprodução, caracterizado pela capacidade de alimentação. A alimentação surge como condição básica para a vida e, assim, refletir sobre a alimentação no processo de estruturação e de desenvolvimento do ser humano passa a ser um exercício fundamental.
Você tem fome de quê? Dize-me como comes e te direi quem és!
No modelo consumista do capitalismo global, observar a nossa relação com a alimentação e aquilo que procuramos consumir , questionando o que nos alimenta e o que estamos alimentando, pode ser a base para uma reavaliação dos conceitos de ética, de responsabilidade social, de consciência ecológica e de sustentabilidade.
Compreender a estreita relação entre a construção de uma subjetividade psíquica e a alimentação, desde o primeiro contato com o seio da mãe, pode nos permitir um olhar revelador sobre a vida afetiva do ser humano, a maneira como as relações são construídas e como se constroem as noções de identidade, de sociedade e da vida no planeta.

Carlos Alberto de Oliveira Carvalho é psicólogo pela PUC- SP. Psicoterapeuta corporal com especialização na SOVESP sob orientação do Profº  Federico Navarro, neuropsiquiatra italiano. Estuda o budismo tibetano desde 1984, origem do interesse por um modelo de mente e de consciência baseados no conceito de interdependência.

 
27/5 – Américo Sommerman:

A transdisciplinaridade, a transculturalidade e o sagrado

A partir de algumas definições gerais destes três conceitos, serão apresentadas algumas de suas relações, bem como possibilidades de sua aplicação na Educação brasileira hoje, visando a instauração não somente de um novo diálogo entre as diferentes áreas disciplinares (interdisciplinaridade) e entre as diferentes formas de conhecimento (transdisciplinaridade), mas a instauração de um diálogo entre as diferentes culturas (interculturalidade e transculturalidade) e entre os diferentes níveis do sujeito (corpo, psique, alma e espírito).

Américo Sommerman é Mestre em Ciências da Educação pela Universidade Nova de Lisboa (2004), em co-tutela com a Université François Rabelais de Tours, França. Doutorando em Difusão do Conhecimento pela Universidade Federal da Bahia. Co-criador do Centro de Educação Transdisciplinar (CETRANS). Membro do Centre International de Recherches et Études Transdisciplinaires (CIRET). Autor de Inter ou transdisciplinaridade: da fragmentação disciplinar ao novo diálogo entre os saberes,, São Paulo, Paulus, 2006. Organizador, com Maria F. de Mello e Vitória M. de Barros, dos livros Educação e Transdisciplinaridade I e II, Brasília: UNESCO, 2000 e São Paulo: Triom/UNESCO, 2002. Primeiro editor e tradutor brasileiro de Plotino, neoplatônico do séc. III d.C., e de Jacob Boehme, grande metafísico alemão do séc. XVII. Primeiro editor brasileiro do Sêfer Ha-Zohar (O Livro do Esplendor), obra máxima da mística judaica.

 
Junho

10/6 – Maria José Caldeira do Amaral:

O Cântico dos Cânticos:

O poema sagrado nos convida à misericórdia necessária ao diálogo com o Amor - silhueta do itinerário da alma portadora de amor e desejo constitutivos de sua própria anatomia.

 "Toda a doutrina do amor desinteressado e, no entanto recompensado se prende ao fato de que o amor não é somente amor da alma por um ser que a ama, mas pela própria substância do amor, fim além do qual já não há outro fim.” ( Étienne Gilson).

Maria José Caldeira do Amaral é mestre e doutora em Ciências da Religião pelo Programa de Estudos Pós Graduados em Ciências da Religião da PUC/SP. É Psicóloga Clínica, professora do curso de extensão da COGAE/PUC/SP e pesquisadora do NEMES/ Núcleo de Estudos em Mística e Santidade/PROCRE/PUC/SP.

 
17/6 – Oscar Quiroga (a confirmar)


24/6 – Márua Roseni Pacce:

Meditação Vicara - De acordo com os ensinamentos de Ramana Maharshi.

 “ O que não deve acontecer, não acontecerá, não importa o quanto você deseje. O que deve acontecer, acontecerá, não importa tudo o que você faça para evitar. ...Portanto o melhor caminho é permanecer em silencio.” ( Ramana Maharshi)

  Ramana Maharshi, chamado por Carl Gustav Jung de “o santo hindu”, propôs uma constante investigação para levar a término a dualidade, realizada através da pergunta: “Quem sou eu?” – destruindo perseverantemente todos os pensamentos. Este processo de aquietamento da mente (Nan Yar) é descrito pelo sábio como a vareta que estimula o fogo, mas que terminará consumido por ele, revelando a compreensão do Eu superior. Tanto para o homem oriental quanto para o ocidental, o propósito maior é a mudança de foco do “eu” para o “Self”; assim, a prática deste processo meditativo tem aplicação universal.

Márua Roseni Pacce  -  é professora de Yoga e psicóloga clínica. Formada em História e Psicologia, com especialização em psicologia analítica no Instituto Junguiano de São Paulo. É membro do IAP - International Association for Analytical Psychology. Fundou o Núcleo de Yoga Ganesha, que completa 28 anos em maio de 2010, e que dirige desde a fundação. Professora de Yoga e meditação, tem em sua formação estudos e treinamentos com mestres como Yogui Bhajan (Tantra Yoga Branco) e Masteji Visvanatha, da tradição dos Nathas. Há alguns anos, organiza e conduz viagens de grupos para aprofundamento na Índia. 


Julho

1/7 Arnaldo Bassoli

Diálogo e Atenção Meditativa

O Diálogo é uma conversação que tem como riqueza maior a recomposição dos vínculos entre as pessoas – questão de extrema necessidade no contexto da vida atual. Estamos redescobrindo, coletivamente, a importância das conexões e relacionamentos, da cooperação e do Diálogo.
A base do Diálogo é a atenção ao outro e o desvendar dos pressupostos, muitas vezes ocultos, subjacentes às posições de cada um, e que se passam despercebidos, causam um sem-número de situações difíceis.
Muitas vezes o Diálogo já foi chamado de meditação em conjunto. Esta palestra, que fecha o nosso ciclo, será sobre a atenção. Ouvir sem interpretar, compreender sem julgar. Para Lawrence Freeman, meditador da tradição cristã, a melhor definição possível de amor é esta: atenção.

Arnaldo Bassoli é psicólogo, psicoterapeuta e professor da Escola de Diálogo de São Paulo. Tem especializações em Gestalt-Terapia, Cinesiologia Psicológica e Jogos Cooperativos. Trabalha com indivíduos, grupos e organizações. É mediador, facilitador de grupos e encontros de Diálogo em diversos contextos. Foi presidente do Comitê Brasileiro de Apoio ao Tibete, e um dos fundadores do Centro Odsal Ling de Budismo Tibetano em São Paulo.



LOCAL: R. Dr. Paulo Vieira, 363 - Travessa da R. Apinagés (exceto curso de Ken Liberman - ver acima)
DATAS: quintas-feiras à noite
HORÁRIO: das 20:30 às 22:00 horas (com exceção das palestras de Ken Liberman e Quiroga)
INVESTIMENTO: R$ 35,00 (trinta e cinco reais) por palestra. Consulte-no para o preço da inscrição em todas as palestras.
INSCRIÇÕES ANTECIPADAS: falar com Monique, no telefone (11) 7527-1177


 


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